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quinta-feira, janeiro 27, 2011

Prédios mal-assombrados

Deu hoje, na coluna do Ancelmo Gois, que os seguranças que cuidam da antiga sede da Manchete juram que o prédio, na Glória, é mal-assombrado. Um deles conta que encontrou fora do lugar um quadro com o rosto de Adolpho Bloch. Ficou com medo do olhar do fundador do antigo império jornalístico no retrato.
O antigo prédio do jornal dos Sports, na Rua Tenente Possolo, que foi demolida, também tinha essa fama. Quando trabalhei lá, vários colegas diziam que quem visitasse o arquivo durante à noite escutava a porta bater sozinha e ficava trancado lá dentro. Lenda urbana, claro!

quarta-feira, setembro 01, 2010

O fim do JB

O Globo de hoje noticiou o fim do Jornal do Brasil impresso, depois de 119 anos de existência. Além disso, ainda informou sobre um livro e um documentário que estão sendo feitos sobre o JB. O antigo concorrente do O Globo sucumbiu. Uma pena!

terça-feira, agosto 31, 2010

A morte de um jornal

Hoje saiu a última edição do Jornal do Brasil impresso. A partir de amanhã, os leitores desse veículo tão tradicional só terão a chance de conferi-lo pela internet.
Sempre quis trabalhar no JB, tão querido dos cariocas. Mas quando comecei a faculdade o períodico já estava mal das pernas. Nas últimas duas décadas, ele só agonizou e não conseguiu se reerguer. Alguns leitores se mantiveram fiéis. Outros, com a saída de grandes colunistas, optaram pelo O Globo ou Folha de São Paulo.
Agora não tem jeito, como muitos que ficaram para a memória do país, o JB torna-se peça de museu, ao lado do Última Hora e do Diário de Notícias. Esses dois últimos eu não cheguei a conhecer, mas tive muitos colegas que passaram pela redação deles e me contavam com saudosismo os bons tempos do jornalismo.
Para quem é jornalista, há também a percepção de que o mercado se afunila a cada dia e, se os jornais de papel acabarem, como andam dizendo, os profissionais que restarem nas redações vão para a internet.

terça-feira, junho 22, 2010

Jornalista adora blog

(Fonte: Comunique-se)
Metade dos jornalistas brasileiros mantém blogs, mostra estudo

Da Redação
Uma enquete feita para o livro "The Global Journalist 2", que será lançado ainda este ano, apontou que 51,2% dos jornalistas brasileiros são blogueiros. A enquete tabulou respostas de 624 profissionais de jornais, revistas, rádios, TVs, assessorias de imprensa e órgãos públicos. O estudo foi conduzido pela jornalista brasileira e professora associada da California State University de Long Beach (EUA) Heloiza Herscovitz.
O resultado aponta que 67,6% dos jornalistas usam algum tipo de sistema de mensagens instantâneas e 65,1% mantêm perfis em redes sociais como Facebook e Orkut.
Mesmo com a popularidade do Twitter, o estudo mostrou que muitos jornalistas brasileiros ainda não adotaram o microblog, que é usado por 46,2% dos profissionais. Apenas 17,5% disseram já ter assistido a webcasts ou a vídeos online, e somente 10,5% usam programas para analisar dados, como o Excel.

sexta-feira, junho 18, 2010

José Saramago, uma personalidade

Morreu José Saramago, aos 87 anos. Era um escritor do mais alto nível, mas também um senhor rabugento. Essa é a imagem que tenho dele, já que primeiro conheci a faceta pessoal, em uma entrevista coletiva. A admiração veio depois, quando mergulhei na leitura de Ensaio sobre a cegueira, Todos os nomes e As intermitências da morte . As histórias contadas sempre de forma reflexiva e extremamente criativas tem uma marca única do escritor, que não usa pontuação em seus textos. Muitas vezes, torna-se uma leitura difícil, mas não menos prazerosa.
Bom, quanto à imagem de zangado, isso me aconteceu há uns 10, 12 anos, em uma entrevista na Universidade Federal Fluminense (UFF). Eu era jornalista novata e trabalhava para a Folha Dirigida, um jornal de educação e concursos. Fui designada para conversar com ele sobre educação, leitura, etc. O escritor estava no Brasil para divulgar um dos seus livros, não lembro qual. Esperei Saramago falar sobre o que o trazia ao Brasil e, depois, fiz uma pergunta, que, confesso, saia do tema. Ele imediatamente virou para mim e falou mais ou menos assim: "ainda não terminei, você está me interrompendo". Isso, no meio de vários colegas. Fiquei com uma vergonha tremenda. Afinal, estava levando um passa-fora de um Prêmio Nobel de Literatura e todos os outros jornalistas estavam ali o bajulando. Saí possessa quando acabou a coletiva e nem quis saber de autógrafo como alguns presentes. Prometi que não queria saber mais daquele senhor.
Só fui ler um livro seu quando meu irmão ganhou "Ensaio sobre a cegueira" da namorada. Resolvi conhecer só para criticar depois, confesso. Mas mergulhei profundamente naquela narrativa e quis mais. Hoje acho essencial qualquer pessoa conhecer as obras deste fantástico escritor português, rabugento sim, mas um talento incontestável.

quinta-feira, junho 03, 2010

Quem sabe, a volta do diploma

Uma comissão na Câmara dos Deputados vai analisar o projeto de emenda constitucional que pretende restabelecer o diploma para jornalista. Se for aprovado, o projeto segue para o Senado Federal e para sanção presidencial. Ainda há um caminho a trilhar, mas vamos confiar que isso realmente aconteça. Não dá para imaginar jornalista sem diploma, apenas com boa vontade e desejo de aventura. É preciso saber técnicas de redação, ter a manha de apurar, procurar usar de ética (apesar se muitos não a terem) e pesquisar o assunto com afinco. É preciso ter fontes, é preciso ter conhecimento geral e é preciso uma faculdade para que a formação seja um filtro somente para os mais aptos. Enfim...

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Twitter para jornalistas

O Twitter é uma ferramenta útil e bacana. Para jornalista, é algo sensacional mesmo. Estava vendo agora que um programa de TV estava tentando encontrar personagem para uma matéria. Puxa vida, lembro do tempo em que ficávamos mandando e-mail para todos os conhecidos para encontrar alguém ideal para o tema que iria ser tratado no dia seguinte. Agora, a coisa é rápida. É só twittar e se alguém responder, você já entra em contato.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Mau gosto

A capa do jornal Meia Hora saiu hoje com a seguinte manchete "Carrasco do Mengão leva balaço na cabeça" . A matéria refere-se ao tiro que levou Cabañas, jogador paraguaio ontem. Entretanto, por mais popular que seja o veículo, é preciso ter sensibilidade para não escrever algo deste tipo.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Apelação ou notícia?

Hoje vi uma foto bastante chocante da tragédia no Haiti publicada pela Folha de S. Paulo. Uma pilha de corpos dos mortos no terremoto e um homem agachado perto do corpo de um bebê, que seria sua filha de 10 meses. Pensei se realmente apresentar a fotografia é importante para nos dar a dimensão do que aconteceu com aquele povo ou é apenas uma imagem apelativa, que só é colocada no alto de página para chamar atenção e vender jornal. Ainda não tenho opinião formada sobre isso, apesar de alguns anos de prática jornalística.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Manchete do dia

Muito boa uma das chamadas do O Globo hoje: "Nobel da Paz manda 30 mil para a guerra".

quinta-feira, novembro 12, 2009

Bastidores do Prêmio Embratel

- Os jornalistas comemoraram a PEC que volta com a obrigatoriedade do diploma.

- O SBT concorreu em várias categorias. E lembro ter recebido o prêmio em uma: reportagem cinematográfica.

- O amigo Antero Gomes, do Extra, ganhou o prêmio da região Sudeste, com as multas no sinal amarelo.

- O show foi uma grata surpresa. Ao contrário dos anos anteriores em que era de samba, com gente que não me interessava muito, desta vez tivemos Nando Reis. Eu adoro as músicas dele!

- Os envelopes com o nome dos vencedores não abriam facilmente, uma saia justa para quem precisava anunciar os ganhadores.

- Trocaram Leilane, por Renata Vasconcelos na apresentação.

- O show de piadinhas de Maurício Menezes sempre muito legal!

Os vencedores

TROFÉU BARBOSA LIMA SOBRINHO
Reportagem ‘Caso Zoghbi’, Revista Época

JORNALISMO INVESTIGATIVO
‘A Farra das Passagens’, www.congressoemfoco.com.br

REPORTAGEM ECONÔMICA
'O Brasil que Emergirá da Crise’, Jornal Correio Braziliense

RESPONSABILIDADE SÓCIO-AMBIENTAL
‘A Morte Lenta da Floresta do Mar’, Jornal Correio Braziliense

REPORTAGEM ESPORTIVA
‘A Copa do Mundo é Nossa’, ESPN Brasil

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA
‘Ladrão em Fuga’, Jornal Correio da Bahia

REPORTAGEM CINEMATOGRÁFICA
‘Jovem Morte’, TV SBT

RÁDIO
‘Perigo na Tela: O Vício do Novo Século’, Rádio Catarinense

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, COMUNICAÇÃO E MULTIMÍDIA — VEÍCULO ESPECIALIZADO
‘Retrato de uma Década’, Information Week Brasil

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, COMUNICAÇÃO E MULTIMÍDIA – VEÍCULO NÃO-ESPECIALIZADO
‘Tecnologia Para Especiais’, Rede Minas de Televisão

JORNAL E REVISTA
‘Favela S.A.’, Jornal O Globo

TELEVISÃO
‘Educação à Distância’, TV Globo – Rio

JORNALISMO CULTURAL
A série ‘Machado de Assis — 100 anos de Memória

REGIONAIS:

CENTRO-OESTE
‘Meninos sem Futuro’, O Popular

REGIONAL NORTE
‘Trabalho Escravo’, TV Record

NORDESTE
‘Arquivo Morto — Máfia das Execuções em Fortaleza’, O Povo

SUDESTE
‘O Golpe do Sinal Amarelo’, Jornal Extra

SUL
‘A Epidemia do Crack’, Jornal Zero Hora

MENÇÃO HONROSA
‘O Maior Desastre Climático do Brasil’, Jornal de Santa Catarina

sábado, setembro 19, 2009

Vida de jornalista

São 13 anos de jornalismo. Uma carreira que levo no fundo do meu coração, apesar de pretender, no futuro, migrar para outra. Vou fazer aqui um balanço geral das entrevistas que fiz na vida (algumas, porque é difícil lembrar de todas, é claro!) Depois, vou incluindo mais.

Exclusivas (com admiráveis):
1 - Barbosa Lima Sobrinho
2 - Frei Betto
3 - Luiz Alfredo Garcia-Roza
4 - Cristóvam Buarque
5 - Hebe Bonafini - presidente das Mães da Praça de Maio
6 - Doutores da Alegria
7 - Nelson Pereira dos Santos

Exclusivas (outros)
1 - Paulo Renato Souza (ex-ministro da Educação)
2 - Lindberg Farias (ex-presidente da UNE e atual prefeito de Nova Iguaçu)
3 - ministro da Educação de Cuba (não me recordo o nome)

Coletivas
1- José Saramago - escritor prêmio Nobel de Literatura

Depoimentos
1- Jorge Benjor
2- Oscar Niemeyer
3 - Du Moscovis
4 - Vanessa Giácomo
5 - Robson Caetano

domingo, julho 19, 2009

Sem diploma, a coisa pode piorar

Achei interessante a entrevista de Gay Talese, um dos pais do "New Journalism", para a Folha de S. Paulo. Ele faz a seguinte reflexão, muito pertinente nos dias de hoje, principalmente agora, que o Brasil aboliu o diploma. Sua fala não se refere a esta questão, mas fala de como a profissão se degradou."O que é jornalismo atualmente? Nem sabemos. Todos podem ser jornalistas. Antesa a profissão era associada a credibilidade, as pessoas estudavam para praticá-la. Há 25 anos, o jornalismo passou a ficar competitivo da forma errada. Virou uma competição por furos. Esse foi o primeiro erro. Tentar ser o primeiro a dar a notícia, acima de tudo. O problema é que você acaba cometendo erros".

quinta-feira, julho 16, 2009

É hora de protestar mesmo!

(Do site do Sindicato dos Jornalistas)
O motorista que dirigia o carro em que estava o presidente do STF, Gilmar Mendes, nesta terça-feira, no Rio, provou em duas ocasiões ter muita habilidade ao volante – na entrada e na saída da Fundação Getúlio Vargas. Ele precisou acelerar e fugir, na Praia de Botafogo, para escapar do assédio indignado de jornalistas e estudantes que se concentravam no local, em protesto contra o fim da exigência do diploma em Jornalismo para a prática da profissão.
Poucos minutos antes das 17h, quando estava previsto o início de uma palestra que o ministro faria na FGV sobre administração no Poder Judiciário, os manifestantes iniciaram a concentração. O presidente do STF chegou com meia hora de atraso. O protesto terminou por volta das 19h30, com a saída do carro de Gilmar em disparada, com proteção de pelo menos 15 PMs e guardas municipais que permaneceram no local durante todo o tempo da manifestação.
Numa espécie de vigília em frente à Fundação, os manifestantes concentravam todas as críticas no presidente do STF. Gritavam palavras de ordem como “Jornalista diplomado é igual a advogado” e lembravam que “jornalista não é capanga”, em referência a palavras do ministro Joaquim Barbosa que em discussão com Gilmar Mendes, durante sessão no STF, disse que não era um de seus capangas.
Os estudantes se revezavam no uso do megafone e insistiam em chamar o presidente do Supremo de “Gilmar Dantas”, em relação ao banqueiro Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal e posto em liberdade por meio de habeas corpus concedido em duas ocasiões pelo ministro.
“O ministro Joaquim disse também que Gilmar 'Dantas' mantém escravos em sua fazenda. E é isso que ele tem de entender: jornalista não é escravo”, reclamou o estudante Claudio Neves, que de megafone em punho passou depois a gritar: “Ô Gilmar Dantas, pode esperar, a sua hora vai chegar!”
Os estudantes anunciaram disposição de participar de outras manifestações de repúdio contra a decisão do STF. “Espero que os estudantes e os jornalistas não dêem paz ao Gilmar Mendes, enquanto ele continuar a desrespeitar as profissões e valorizar apenas medicina e engenharia, e só incluir advocacia por corporativismo”, disse Cesar Araújo, vendedor de livros no centro da cidade, que parou alguns minutos para se solidarizar com a manifestação.
O repórter fotográfico Alberto Jacob Filho, diretor do Sindicato e presidente da Arfoc-Rio, participou da manifestação novamente vestido de cozinheiro, parodiando a comparação feita por Gilmar Mendes desta profissão com a de jornalista. (25/06/09)

Bela defesa do diploma

Por Paulo Chico (do blog comunicação de 4)
10 considerações sobre a decisão do STF...

1 - Em primeiro lugar há uma confusão conceitual nessa decisão. O relator e presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, defendeu, no julgamento, a tese de que o jornalismo é profissão diferenciada que tem vinculação com o amplo exercício das liberdades de expressão e de informação. Segundo ele, exigir o diploma de quem exerce o jornalismo é contra a Constituição Federal, que garante liberdade de expressão e informação. Ora bolas, uma coisa não tem nada a ver com a outra! A liberdade de expressão já existe e permite que qualquer cidadão exponha suas opiniões e ideias, seja numa roda de conversa com amigos num bar ou numa manifestação solitária em cima de um banquinho no centro da cidade. Ou até mesmo nas seções de cartas dos jornais, onde qualquer leitor pode fazer valer suas palavras. E os blogs, como esse aqui? Querem exemplo mais pulsante de liberdade de opinião e expressão do que nossos diários eletrônicos?

2 - Exatamente para ser trabalhada com liberdade, a informação deve ser precisa, desde a sua apuração e checagem, até a redação e editoração final. É justamente para ser exercida com a devida liberdade, que a informação deve ser trabalhada de forma responsável, com técnica jornalística e isenção, por aqueles que estão formalmente habilitados e treinados para tal.

3 - Jornalista, que eu saiba, não está aí para emitir opiniões. Pelo contrário, somos doutrinados, e diariamente nos policiamos, exatamente para não fazê-lo. Como bem definiu a Débora Thomé, nós, peões da informação, somos, na verdade, meros transmissores de fatos e versões, contadores de histórias reais.

4 - Por isso mesmo, não vale a comparação com 'colunistas' em geral. Eles são muitos, é verdade. Ajudam a oxigenar qualquer publicação, quebrando exatamente a 'crueza' das matérias jornalísticas. Mas, ali, naquele espaço, eles fazem análise e emitem suas opiniões. E isso até faz parte do produto jornalístico. Mas, essencialmente, não é jornalismo. Os colunistas podem ser escritores, humoristas, músicos, cozinheiros, astrólogos, promoters, sociólogos, educadores, socialites, o diabo a quatro e, até mesmo, jornalistas, ali, naquele espaço, credenciados a emitir opinião.

5 - Fora um grito aqui e outro acolá, é muito tímida a reação da classe a essa absurda decisão. Somos - e me incluo nisso - absolutamente desunidos e desmobilizados. Onde estão os estudantes de Jornalismo que não se manifestam - na minha opinião, eles, que ainda não ingressaram no mercado, serão mesmo os principais atingidos. Imagine-se pai de um aluno de faculdade particular, desembolsando R$500 ou R$600 por mês (isso, por baixo) para, no fim, seu filho obter um diploma que não vale mais? Universitários de todo o país deveriam se manifestar. Que tal, num movimento nacional, todos trancarem as matrículas?

- Nas redações, ao menos neste primeiro momento, não devem ocorrer grandes mudanças. Não creio em demissões em massa para a contratação de pessoas não formadas. Fala-se que a queda do diploma representa o fim de uma restritiva 'reserva de mercado'. Que mercado, meu Deus?!? Cá entre nós, segue um aviso para quem pensa em se aventurar no front... O campo de atuação dos jornalistas não é nem um pouco atrativo. Sobram pressões, exploração, desrespeito e sobrecarga de trabalho. Faltam emprego e, para quem está empregado, salário.

7 - Interessante perceber o descaso da sociedade - e do STF em especial - em relação à qualidade da informação que a ela será oferecida. Mais curioso é perceber que em outras áreas de formação, como o Direito, providências foram tomadas em sentido contrário. Além da aprovação na faculdade, o graduado somente pode exercer a profissão após aprovação no Exame da OAB. Uma demonstração de zelo e preocupação em medir a qualidade da formação dos profissionais que chegam ao mercado. Dois pesos, duas medidas?

8 - É nítida a falta de qualidade de boa parte dos cursos de graduação em Jornalismo. Aliás, isso é evidente em muitos cursos superiores, e nas mais diversas faculdades deste país. Então, por qual razão não qualificá-los? Não torná-los mais atualizados com as exigências de habilidade e as tendências do mercado? Segundo membros do STF, os maiores 'pecados' dos maus jornalistas seriam no campo da má formação ética - o que evidenciaria a pouca relevância do curso superior, afinal não se trata de quesito de formação técnica, e sim de transmissão valores humanos. É preciso lembrar que maus exemplos éticos existem em todas as categorias profissionais que saem das universidades, de médicos a engenheiros. E até de quem não necessariamente passa pela faculdade, como políticos e líderes religiosos. Aliás, alguém aí se arriscaria ao ponto de colocar a mão no fogo por todos os advogados e juízes?

9 - Finalmente, a quem interesse um jornalismo praticado por não jornalistas? Uma imprensa, que no mundo todo experimenta uma de suas mais graves crises, ainda mais desqualificada? O que está por trás do lobby de grandes jornais, que dissimuladamente defenderam a tese e trabalharam pela derrubada da exigência do diploma? A quais interesses essa decisão do STF veio atender? Seria uma resposta do Judiciário que, ao lado do Executivo e do Legislativo, é constantemente bombardeado por denúncias de ineficiência e corrupção, geralmente frutos de investigação jornalística?

10 - Algumas entidades, como a Fenaj e ABI, ensaiam mobilização para tentar uma nova regulamentação da profissão, com a volta da exigência do nível superior para seu exercício. Parece-me que o deputado Miro Teixeira (PDT/RJ), cuja atuação foi fundamental na recente derrubada da Lei de Imprensa, tenta articular reação jurídica à decisão do STF. Vamos ver no que dá. Enquanto isso, sigo na profissão. E meu diploma continua onde sempre esteve, guardado na gaveta. Melhor assim. Pelo menos, evito passar pelo constrangimento de, frustrado e rebaixado, ter que retirá-lo da parede...
(22/06/09)

Diploma na lixeira

O STF jogou no lixo a garantia de muita gente ontem, acabando com a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Eu passei no vestibular mais concorrido no Rio de Janeiro e na época, na segunda carreira mais disputada, perdendo só para medicina. Fiquei quatro anos na universidade, ralei em alguns jornais, ganhei salários aviltantes e depois de tudo isso, descubro que meu diploma não serve para nada.
Muita gente alega que todos podem ser jornalistas. Mas, em um país que a educação já é precária, agora abriram a porteira.
Qualquer pessoa pode pleitear uma vaga no mercado de trabalho e tentar a carreira. Sinceramente, o que se deveria fazer era qualificar ainda mais os profissionais, ter cursos universitários mais rigorosos e não permitir que gente que escreve mal ocupasse vagas nos veículos de comunicação. Além disso, deveria se investir em cursos de especialização e se contratar jornalistas cada vez mais qualificados.
Pronto, agora tudo foi por água abaixo e só nos resta esperar para ver o que vai acontecer por aí... Fico triste porque esta é a minha profissão do coração e pelos colegas que estão buscando um lugar ao sol. (18/06/09)

sexta-feira, janeiro 09, 2009

50 anos da Revolução Cubana e o jornalismo

Com a data comemorativa da Revolução Cubana estão fazendo inúmeras matérias sobre Che Guevara. Comprei ontem a Superinteressante que traz o mito na capa. Na verdade, a matéria se propõe a colocar os dois lados da figura: o herói dos oprimidos e o assassino impiedoso, como ela anuncia. Apesar de ter Che como um ídolo, acho óbvio que ele tenha seu lado ruim. Todo ser humano tem dois lados. Seria muito ingênuo acreditar que ele sempre acertou. E jornalismo é isso. O bom jornalismo deve destacar as várias versões, apresentar vários pontos de vista. Nota 10 para a Superinteressante. Ao contrário da Veja, que é uma revista ridícula, que passa por cima de todos os preceitos do jornalismo. A matéria sobre Che publicada no ano passado foi de vomitar. Extremamente parcial.

terça-feira, novembro 18, 2008

Importante para jornalistas

É do blog Traduzindo o juridiquês, do jornal O Globo. Importante para quem trabalha na área.

Um leitor do blog coloca a seguinte questão: Uma pessoa envia a um jornal uma fotografia feita por ela mesma, retratando um veículo estacionado em local proibido, e a foto é publicada pelo periódico. Isso configuraria o constrangimento público do proprietário do veículo, considerando que a notícia não foi produzida por jornalistas e sim por um leitor, que pode ter outras motivações, inclusive pessoais?
Entendo que não há constrangimento público que enseje qualquer tipo de dano. O infrator não teve pudor e cometeu a infração em público. O que o jornal faz, comedidamente, é apenas noticiar o fato, sem extrapolar suas funções. Se a foto foi enviada por um leitor, ainda que desafeto do infrator, isso não tem importância. O que importa, para o jornal, é a notícia, o fato jornalístico. Assim, desde que o proprietário não seja exposto de maneira abusiva, humilhante, não existe nenhum tipo de constrangimento público.
A interatividade dos veículos de comunicação com seus leitores chegou para ficar.

terça-feira, outubro 21, 2008

Prêmio Embratel

Hoje vai rolar a 10ª Edição do Prêmio Imprensa Embratel. Vamos prestigiar os coleguinhas premiados e rever muitos amigos.

terça-feira, setembro 30, 2008

Mudança ortográfica

Agora a gente vai ter que escrever: ideia, assembleia, boia. Acho tudo isso muito esquisito. A única coisa boa é a volta do K, W e Y, que na verdade nunca foram embora.