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quarta-feira, dezembro 31, 2014

Sobre Cuba e os EUA



A retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos é uma das mais importantes notícias deste ano, sem dúvida, embora permaneça o embargo à ilha.
Tive oportunidade de conhecer um pouquinho de ambos. Em Cuba, a sensação esquisita de ter feito uma viagem no tempo e ter desembarcado nos anos 50. Na Flórida, a volta foi à minha infância em meio a princesas, ratos, jedis.
Em Cuba fui muito mal atendida pelos funcionários dos hotéis. Pareciam funcionários públicos insatisfeitos e desestimulados (E realmente são. Quem paga seus salários é o governo e não as redes hoteleiras espanholas e canadenses, que têm permissão para estar na ilha).
Na viagem aos EUA, a única pessoa que me tratou com deselegância foi um funcionário da América Airlines. E no fim, descobri que era brasileiro.
Em Cuba, fomos quase coagidos a oferecer almoço para dois estudantes universitários (se realmente eram). Nos Estados Unidos ninguém nos importunou.
Em Cuba quase todo mundo tentava nos arrancar dólares e fomos xingados por um cara que vendia o Granma (jornal oficial) porque pagamos em pesos cubanos e não nos convertibles (que são equiparados ao dólar). Nos Estados Unidos, fomos seduzidos a deixar nossos dólares com a promessa de comprar produtos de marcas inacessíveis no Brasil para a grande classe média. Fomos picados pelo consumismo exagerado e desenfreado.
Mas isso significa que Cuba é péssima e Os Estados Unidos o país dos sonhos? Claro que não. Seria muito reducionista analisar o mundo olhando só pela minha rápida vivência.
Além disso, ambas experiências foram maravilhosas. Conhecer a história de Fidel e seus homens in loco, estar mais perto de Che Guevara e aprender a admirar Camillo Cienfuegos foi incrível. Além de ter ido na praia mais paradisíaca que conheci, em Varadero.
Por outro lado, rir e me divertir em Orlando e Miami foi igualmente inesquecível. Acenei para o Pateta, que me retribuiu o gesto; gritei na montanha-russa e visitei o Castelo de Hogwarts.
Hoje não sou mais tão comunista e também não sou pró-capitalismo selvagem.
Cuba tem saúde de qualidade, gente batalhadora, ritmos musicais que percorrem o mundo. Os Estados Unidos é um país avançado em muitos ramos.
Nada é tão claro e estereotipado como parece. Cuba é uma Ditadura, mas tem um sistema universitário altamente democrático em que alunos, professores e funcionários discutem e decidem os rumos da instituição.
Estados Unidos é uma democracia, mas foi responsável pela implantação de ditaduras de direita sangüinárias em toda América Latina.
Cuba matou opositores do regime, mas Estados Unidos matou inocentes no Afeganistão, Iraque e ajudou a financiar guerras pelo mundo afora.
Cuba está melhor com o irmão Castro bonzinho. Pelo menos é o que a irmã exilada nos Estados Unidos acha. E Obama, embora não seja esta Coca-cola toda, está anos-luz na frente dos Bush em termos de política externa e também em lições de humanidade.
No fim, nada é preto no branco. Mas que se deu um grande passo com a aproximação, não há dúvidas. Agora falta o fim do embargo econômico para completar e vamos ver no que dá.
Viva Che Guevara. Viva Martin Luther King.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Brasil, um país também de gente boa

Agora lendo posts no Facebook, me deparo com figuras que admiro. Graças a Deus, tive a chance de aprender com meu pai a admirar pessoas que fazem algo pela sociedade ou têm um talento fora do comum. Uma das grandes figuras é Betinho, sim o irmão do Henfil, aquele que o Brasil sonhava com a sua volta. E hoje em dia, ainda existem algumas e poucas cabeças pensantes como Marcelo Yuka e Jean Willys, ambos competentes na luta por suas causas. Sem falar do ministro do STF, Joaquim Barbosa, que também me parece bem intencionado. Para mim, Betinho supera a todos, mas ainda é possível ver gente boa por aí. O Brasil não é feito só de corruptos, minha gente!!!

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Mistérios da vida

O famoso cientista Stephen Hawking completou ontem 70 anos. É um exemplo de superação. Com uma doença degenerativa diagnosticada quando tinha ainda 21 anos, nada impediu que ele se tornasse o grande cientista que é. E olha que, em média, as pessoas com a doença dele vivem em média 14 meses. E ele já ultrapassou meio século.
Muita gente deve estar pensando: "ah, mas ele tem dinheiro". Não, não é só o dinheiro. Se fosse isso, Steve Jobs ainda estaria vivo, os pais de Cazuza o teriam salvado, etc. No meu entendimento, é muito mais uma espécie de milagre. A doença de Hawking também não tem cura. E ele permanece aí, dando contribuições para a humanidade. O cara fez doutorado, publicou livros, casou duas vezes e teve três filhos. Isso não é fantástico?
Acho que a vontade de viver muitas vezes supera os prognósticos da Medicina. E não há regra, nem roteiro a ser seguido para conseguir driblar uma doença grave. Tem gente que permanece aí mesmo com todas as estatísticas negativas e outros se vão assim que descobrem que algo muito sério está acontecendo com seu corpo. Só Deus sabe os nossos limites e que vidas devem permanecer por aqui no nosso planeta.

sexta-feira, março 18, 2011

Não aguento isso...

Tem gente que faz blog só com recorte e cole de textos da internet. Me diz uma coisa: se não sabe escrever, então não faça um blog! É legal, de vez em quando, postar um texto da Martha Medeiros, um pensamento de Dalai Lama ou outra coisa qualquer. Entretanto, já vi blogs só com textos escritos por outras pessoas com dicas de viagem, maquiagem, sinopse de cinema, moda e etc.
Gente, cadê a criatividade? Vamos exercitar o texto. Se a gente escorrega na língua portuguesa, nada melhor do que treinar e treinar. Muitas vezes, eu errei alguma palavra ou pontuação aqui e depois voltei ao texto e corrigi. Errar é humano! Não há nada melhor para organizar as ideias do que exercitar diariamente. Chega de preguiça! Aliás, plágio é muito feio!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Ele pensa igual a mim

Acabei de ver em um blog uma entrevista com Wagner Moura, dada à Revista Caros Amigos. Logo na primeira pergunta ele fala porque não fala à Veja. Meu Deus, é tudo o que penso. Olha só as palavras do cara:


“A linha editorial da revista Veja, uma revista de extrema direita brasileira. Eu me lembro claramente de uma capa da revista Veja que me indignou profundamente, sobre o desarmamento, que dizia assim: “Dez motivos para você votar ‘Não’ “. Eu me lembro claramente da revista Veja elogiando Tropa de Elite pelos motivos mais equivocados do mundo. E semana sim, semana não está sacaneando colega nosso: Fábio Assunção, Reynaldo Gianecchini, de uma forma escrota, arrogante, violenta. Outro motivo é que na revista Veja escreve Diogo Mainardi! Eu não posso compactuar com uma revista dessas, entendeu? Conservadora, elitista. Então, não falo com a revista Veja, assim como não falo para a revista Caras. Agora, a mídia é um negócio complexo, importante. A imprensa brasileira, nessa episódio agora do Congresso, cumpre um papel sensacional. Achei ótimo o fim dessa lei de imprensa, careta, antiga. Acho que a imprensa tem que se sentir livre e trabalhar e quem se sentir agredido por ela entra em juízo e processa”.

terça-feira, setembro 28, 2010

Sobre esta tal felicidade

Vi o link no blog da Ritoca e fui lá conferir. O texto da jornalista Eliane Brum é realmente sensacional. Afinal, porque "o viveram felizes para sempre" não existe, muito menos a vida de comercial de margarina. O que é bom, é gostar da vida e saber apreciar os momentos de ALEGRIA. O texto é este: "Nada é só bom"

sexta-feira, junho 18, 2010

Melhor comentário de hoje

"Tristes notícias literárias: nunca mais leremos um livro novo de Saramago. Em breve, poderemos ler o livro de Geisy" (Danilo Gentilli, humorista)
Bom, se vocês não sabem, a Geisy a que ele se refere é a tal aluna da Uniban do minivestido rosa. Os jornais informaram que será lançada uma biografia da tal celebridades estantânea. É o fim da feira, não é?

terça-feira, junho 01, 2010

Novos tempos na igreja

Acho justa a reivindicação de amantes italianas dos padres católicos que escreveram uma carta aberta ao Vaticano pedindo o fim de celibato. Afinal de contas, todo mundo sabe que, desde que o mundo é mundo, os padres acabam se relacionando sexualmente. Uns tem esposas e filhos, outros amantes secretas e, pior, outros praticam pedofilia com jovens da paróquia. Esse último caso é abominável e condenável. Mas o fato de o padre poder namorar, casar e constituir família é direito legítimo de qualquer homem. O celibato é contra as regras da natureza. E, se Deus que fez o homem, não pode condenar algo que seja natural, não é? Essa coisa de que sexo é feio, é invenção de alguns. Afinal, não inventaram outra maneira de um casal se relacionar e de procriar. Se existe o desejo, esse desejo vem do nosso instinto e não acho que algo que veio com a gente, deva ser algo recriminado. Portanto, que os padres sejam justos, bons, fiéis à igreja e também felizes no amor!

segunda-feira, março 08, 2010

Em busca de delicadeza perdida

A mulher merece e deve ocupar lugares de poder e liderança. Mas uma coisa que me incomoda é que todas as vezes que se vê uma executiva ou governante, elas estão tentando imitar a postura masculina e, às vezes, tornam-se mais arrogantes e duras que os próprios homens. Gente, se a mulher é diferente, deve ressaltar suas maiores qualidades que são a tolerância, a flexibilidade, a delicadeza e a diplomacia. Não custa nada ter um jeito leve e sorridente.
Uma boa oportunidade teremos neste ano de eleger uma mulher para a Presidência da República. Que tal Dilma se mostrar mais carismática e menos durona? Talvez conquiste muito mais eleitores. Enfim... é isso.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Anistia para quem?

Muito bom o texto de Frei Betto, para a Revista Caros Amigos. Ideias lúcidas e bastante pertinentes valem a pena ser lidas e debatidas.

Jobim, Vannuchi e a memória brasileira


Por Frei Betto

Indignados com o Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado por Lula, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os comandantes das Forças Armadas teriam apresentado suas renúncias, recusadas pelo presidente.
Lula teria prometido rever pontos do programa, como os que exigem a instalação de uma Comissão da Verdade, a abertura dos arquivos militares e a retirada, de vias públicas, de nomes de pessoas coniventes com a repressão da ditadura.
O ministro Paulo Vannuchi, de Direitos Humanos, cumpre seu dever de cidadão e autoridade. O Brasil é o único país da América Latina, assolado no passado por ditadura militar, que prefere manter debaixo do tapete crimes cometidos por agentes públicos.
A lei da anistia, aprovada pelo governo Figueiredo, é uma aberração. Anistia se aplica a quem foi investigado, julgado e punido. O que jamais ocorreu, no Brasil, com os responsáveis por torturas, assassinatos e desaparecimentos. Aqueles que lutaram contra o regime militar e pela redemocratização do país foram, sim, severamente castigados. Que o digam Vladimir Herzog e Frei Tito de Alencar Lima.
Tortura é crime hediondo, inafiançável e imprescritível. Ao exigir que se apure a verdade sobre o período ditatorial, o ministro Vannuchi e todos nós que o apoiamos não somos movidos por revanchismo. Jamais pretendemos fazer a eles o que eles fizeram a nós. Trata-se de justiça: descobrir o paradeiro dos desaparecidos; entregar às suas famílias os restos mortais dos que foram assassinados e enterrados clandestinamente; comprovar que nem todos os militares foram coniventes com as atrocidades cometidas pelo regime; livrar as Forças Armadas da influência de figuras antidemocráticas que exaltam a ditadura e acobertam a memória de seus criminosos.
O presidente Lula não merece tornar-se refém dos saudosistas da ditadura. É a impunidade que favorece, hoje, a prática de torturas por parte de policiais civis e militares, como ocorre em blitzen, delegacias e cadeias Brasil afora. Inútil os militares tentarem encobrir a verdade sobre o nosso passado.
Até no filme de Fábio Barreto, “Lula, o filho do Brasil”, a truculência da ditadura é exposta em cenas reais e fictícias. “Batismo de Sangue”, de Helvécio Ratton – o filme mais realista sobre o período militar – revela como jovens estudantes idealistas eram tratados com uma crueldade de fazer inveja aos nazistas.
Participei, com Paulo Vannuchi, do projeto que resultou no livro “Brasil, Nunca Mais” (Vozes), assinado por Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright. Todas as informações contidas na obra foram obtidas na documentação encontrada no Superior Tribunal Militar. E, em data recente, o major Curió, que comandou a repressão à guerrilha do Araguaia, abriu uma mala de documentos.
Anistia não é amnésia. O Brasil tem o direito de conhecer a verdade sobre a guerra do Paraguai, Canudos e a ditadura instalada em 1964. Bisneto e neto de militares, sobrinho de general e filho de juiz de tribunal militar (anterior ao golpe de 64), gostaria que os nossos Exército, Marinha e Aeronáutica fossem forças mais amadas que armadas.
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com L.F. Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Twitter para quê?

Qual o objetivo do Twitter? Por que as pessoas entram na rede social? Eu fico impressionada com a falta de assunto e conteúdo das pessoas. E poderia ser uma ferramenta tão legal, se usada para divulgar notícias, campanhas, dicas de filmes, livros, comentários sobre programas, etc. Agora, francamente, para que eu preciso saber que a Ana Hickmann está neste momento na sala de espera do dermatologista?  No que isso vai acrescentar à minha vida?
No blog, a gente até coloca algumas coisas pessoais, mas exageros também não são bem-vindos, como algumas pessoas que eu visitei, que dizem que estão com prisão de ventre ou menstruadas. Fala sério, né? Eu vou acessar um site para ficar lendo estas escatologias? Vamos combinar, que tal um pouco de bom senso e criatividade?

sexta-feira, outubro 09, 2009

O cara da paz

O Prêmio Nobel da Paz este ano foi dado muito mais pela promessa do que pelos feitos. Mas, de qualquer forma, está valendo. Barack Obama é o que esperamos de um futuro melhor para a humanidade e para o continente. Para ilustrar o momento, coloco abaixo o texto do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, publicado em seu blog sobre o presidente norte-americano. Vale a pena conferir:

Donde?
By José Saramago

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar. (janeiro de 2009)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Brasil, entre Cuba e EUA

De Eliane Cantanhêde - colunista da Folha

O Brasil terá certamente um papel importante, senão fundamental, na transição de Cuba pós-Fidel Castro. Não só por ser o principal país da América do Sul, mas por ter defendido, desde FHC e principalmente agora com Lula, a reintegração cubana ao continente e o fim das barreiras e embargos.
Se Hugo Chávez é o maior e mais eficaz amigo de Cuba com seus petrodólares, Lula tem uma enorme vantagem sobre ele: além de aliado de Fidel e agora de Raul Castro, Lula mantém um diálogo maduro e próximo com os Estados Unidos. É assim com George W. Bush, certamente será assim com o sucessor --ou sucessora-- seja democrata, seja republicano.
É um mediador natural de qualquer tentativa de diálogo, principalmente entre governos, mas não só.
Cuba precisa dos petrodólares de Chávez, mas precisa mais ainda do respeito internacional e das sólidas pontes do Brasil e de Lula com o mundo e com os EUA. E os EUA precisam do Brasil para abrir a porta de qualquer diálogo possível com Cuba.
Há várias incógnitas sobre o que acontecerá daqui em diante, depois que Fidel anunciou pelo jornal "Granma" sua retirada de cena, renunciando à presidência do Conselho de Estado, equivalente à Presidência da República, e ao posto de comandante-em-chefe das Forças Armadas.
Para resumir:
1) Raul Castro, seu irmão e sucessor, terá pulso para comandar a transição, mantendo os cubanos serenos e ao mesmo tempo abrindo o país ao continente, ao mundo e até aos próprios inimigos,os EUA?
2) Como vão se comportar os "cubanos de Miami", que têm muito dinheiro e querem triturar todos os Castro com os próprios dentes?
3) Os EUA, que empurraram Fidel para a órbita soviética e comunista, terão flexibilidade para abrir o diálogo e cancelar o embargo à ilha?
4) E como se comportarão os próprios cubanos dentro da ilha?
Ao contrário das democracias, Cuba não convive com pesquisas de opinião pública. Não sabe, nem se sabe fora dela, até onde os cubanos querem a abertura, como vislumbram o futuro, se desejam jogar tudo para o alto para ter o tênis de grife ou preferem manter tudo como está.
Desde a revolução de janeiro de 1959, mais de um milhão de cubanos deixaram a ilha, insatisfeitos com a falta de liberdade e de oportunidades capitalistas --com tentaram, sem sucesso, os dois campeões de boxe enviados de volta do Brasil para Havana, em avião venezuelano.
Apesar disso, as análises confidenciais brasileiras, desde a época de FHC, são de que Fidel conseguiu manter expressivo apoio popular, sobrevivendo ao fim da União Soviética, à queda do Muro de Berlim e à crise econômica, que se tornou especialmente grave depois de 1995.
Conseguirá manter esse apoio também após a renúncia, agora, ou após a própria morte?
Fidel é o mito de gerações. Difundiu ideais de igualdade emocionantes que fizeram a cabeça de milhões mundo afora, enquanto determinou e conduziu uma prática política repressora das liberdades individuais que gerou oposição também em milhões mundo afora. Além de ter convivido com um embargo econômico cruel e inabalável durante décadas. Um embargo que derrubaria qualquer um, menos ele.
O que se espera é que os ideais sobrevivam, amparados por bons índices de saúde e de educação, e que novos ventos acrescentem ao regime cubano modernidade, democracia e integração ao mundo. Manter o bom legado, passar por cima do mau legado.
É uma utopia? É, mas o Fidel que se aliou a Che Guevara um dia para derrubar um ditador sanguinário e mudar o mundo era o quê? Um utópico. Que, uma vez no poder, se julgou único e insubstituível.
Seu maior acerto foi ter derrubado Fulgencio Batista. Seu maior erro foi ter se perpetuado no poder sufocando qualquer chance de oposição e de questionamento.
Como o próprio Fidel já disse, a história o julgará. Mas, o que mais importa agora não é Fidel, é Cuba. E o que vai acontecer com ela, sua gente e tudo o que representam para o mundo.
Um tema obrigatório, aliás, na conversa que Lula deverá ter com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, durante o almoço que eles terão em Brasília, em meados de março. Não será a primeira vez que falarão de Cuba, mas pode ser a mais importante delas.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Artigo de Siro Darlan

Discutimos hoje no trabalho o artigo que o desembargador Siro Darlan escreveu para O Globo. Ele compara João Estrella (o cara que inspirou Meu nome não é Johnny) e o traficante Tuchinha. Na verdade, concordo em partes com seus argumentos. Fala do privilégio da classe média de conseguir uma pena menor e, assim, ter mais chances de reintegração à sociedade. Inclusive, os mais pobres são jogados em presídios super lotados que estão longe de devolver um ser humano melhor à sociedade. Isso é fato! Traficante de classe média, como nós vimos no filme, acaba tendo uma pena menor que o bandido do morro. E isso é extremamente injusto. Entretanto, há um porém no artigo citado. Pelo que me disseram, Tuchinha não é só um ex-bandido que virou músico, como o texto propõe. Ele estava na quadra da escola de samba em horário inapropriado, já que está cumprindo regime semi-aberto. Portanto, não poderia estar naquele horário dando uma de compositor de samba. É isso.

domingo, janeiro 27, 2008

Meu nome não e Johnny

Finalmente vi o filme que conta a história do produtor musical João Estrela. Achei a história bem previsível. O trailer já conta tudo o que a gente vai ver na tela. Outro questionamento que faço é em relação à juíza que deu apenas dois anos de pena em um hospital psiquiátrico para o cara. Não achei uma atitude imparcial e justa. Tenho certeza que a pena foi amena simplesmente porque o rapaz é de classe média. Se fosse um destes marginais dos morros, nem haveria dó nem piedade, era penitenciária mesmo. E convenhamos, o cara sabia o que estava fazendo, só que era inconseqüente. Aliás, a pena para quem trafica drogas é de cinco a 15 anos. Nada justifica esta pena tão branda.
Outra crítica ao filme é que existe mais glamour na vida de Johnny do que sofrimento. O cara vive dando festas, ganha bastante dinheiro, vive como um rei viajando pela Europa. Por isso, não acho que seja uma maneira didática de levar adolescentes ao cinema para previnir sobre as drogas. Ele usufruiu do seu crime por muito mais tempo do que foi punido. Tudo bem que a idéia da Justiça é a de ressocialização e não de punição apenas, mas existe um disparate entre a pena aplicada a ele e a milhares de outros traficantes pobres e favelados que estão por aí. É fato que o cara não matava, não usava armas, mas acho perigoso este tipo de diferenciação por classe social e não por crime cometido. Tráfico é um crime horrendo e deve haver uma penalização rigorosa. É isso.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Não há mais defesa

Sempre coloquei aqui minha opinião sobre Cuba, os lados positivos e negativos. Mas não dá mais para defender o regime de Fidel, até porque os próprios cubanos já não o querem. Estava na hora de o governo começar a promover mudanças antes que os Estados Unidos as façam. Acho que todo regime deve ser aceito ou derrubado pelo seu próprio povo e não por governos externos. É inconcebível se defender ainda práticas de fuzilamento, de cerceamento à liberdade de expressão e de ir e vir dos cidadãos. Todo mundo deve ter o direito de viajar, de falar o que pensa e de criticar seus governantes. Aliás, é deprimente o que o governo brasileiro fez ao deportar os boxeadores cubanos. Imagina as punições que devem sofrer na ilha, isso se não forem mortos ou excluídos para sempre na única coisa de que se orgulham, que é o esporte.

sábado, julho 07, 2007

Espíritos de porco X Cidade Maravilhosa

Tem gente por aí torcendo para o Pan não dar certo. Acho uma bobagem. Temos que acreditar que tudo sairá às mil maravilhas. Isso vai incentivar o turismo na Cidade Maravilhosa. Aliás, hoje é dia de torcida para que o Cristo Redentor seja eleito uma das sete maravilhas do mundo.

terça-feira, julho 03, 2007

Falando nisso...

Se todo mundo seguisse os livros de auto-ajuda não haveria ninguém infeliz, ninguém pobre ou ninguém frustrado profissionalmente. Vamos combinar que não dá para levar a sério este tipo de literatura, né?

quinta-feira, agosto 03, 2006

EUA de novo

Só para constar, mesmo que eu não goste muito daquele país, tenho interesse de conhecê-lo. Não está na minha lista de prioridades, mas na do meu namorado. Portanto, acho que vou sim, e daí? Quem sabe não volto falando bem ou descubro que minhas opiniões fazem sentido?

segunda-feira, dezembro 01, 2003

Falando nisso...

Ao contrário de mim, o tio da pós, Vladimir Palmeira, não gosta de Fidel. Segundo ele, Cuba é um imenso latifúndio e Fidel, o latifundiário. É, pode ser...